depois de namorar uns surreais 1329 dias (mais coisa menos coisa, presumo) com a mesma pessoa, entrar novamente no mundo dos dates acaba por ser engraçado. primeiro, porque não faço a mínima ideia do que estou a fazer. depois, porque sempre fui destrambelhada. ora então: tenho tendência a sujar-me enquanto como. tropeço muito. vou contra coisas. não consigo andar em linha recta, pendendo sempre para o lado de quem me acompanha. não raras vezes dão-me ataques de tosse graças aos ares condicionados, espectáculo sempre bonito de assistir. ainda não chega? às vezes não ouço bem, por isso tenho de pedir para repetir. nem sempre tenho uma boa dicção. não vejo nada, caso não tenha óculos. ora não vou de óculos para um date. por isso fico imensamente desesperada à procura da pessoa, pois não a vejo. e fecho muito os olhos (o que dá força às minhas novas rugas entre os olhos). isso deixa-me ainda mais nervosa, o que acaba por piorar a minha dicção. já chega.
o bom de namorar com alguém é isto: não ter de me esforçar demasiado para que ele goste de mim, porque ele efetivamente gosta de mim. é simples e bom. é verdadeiro.
assim, resta-nos não desistir, e transmitir ao interlocutor que nos tem de olho que somos a pessoa com mais confiança e sex appeal do mundo.
depois, é ler notícias. muitas. porque se calha de a conversa enveredar por algo mais erudito que o simples estado do tempo, é coisa para ficarmos entalados (deus me guarde de ter que falar da troika e dos seus memorandos). saber de filmes, dos óscares, das novas modas. saber um bocado de tudo, para saber conversar sobre tudo. perceber inglês e um bocado de francês. ter o humor mais fenomenal do mundo, porque ó pra tantas piadas que exigem a nossa consideração. também é não ter medo de experimentar comidas novas, aceitar um copo de vinho em vez de uma 7up. não comer feita alarve, só o aceitável para uma lady. não pôr o dedo na boca para tirar as pelezinhas. não bocejar.
esse efémero dia 1 de uma potencial nova relação cansa mais do que qualquer centena dos 1329 dias dos outros. mas é para o que está, e está bem.